Apaixonado por rádio desde a adolescência. Assim, o coordenador executivo da UNIRR Marcus Aurélio de Carvalho, descreve a sua afinidade por esse meio de comunicação. “Meu pai consertava rádios e pedia para eu e meu irmão testarmos os aparelhos. O rádio sempre foi uma companhia para mim porque tenho deficiência visual. Quando criança, não tinha os recursos de lentes que passei a usar na adolescência, então, ler era muito cansativo”, conta.
O ano de 1981 marcou a trajetória de Marcus. Nessa época, ele era estudante de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estagiário da Rádio Roquette Pinto. Num domingo, sintonizado na emissora ouvindo os resultados de jogos de futebol, Marcus percebeu que o plantonista esportivo não estava no estúdio. Ligou para a rádio e descobriu que ele não havia ido trabalhar, pois estava doente. Marcus disse na hora: “estou indo para aí”. E lembra que falou com a mãe: “essa é a chance de mostrar meu trabalho”.
A ousadia de Marcus funcionou. Ele pediu ao operador para abrir o microfone e deu os resultados dos jogos. Conclusão: na segunda-feira, ganhou uma bronca da chefe de jornalismo, mas recebeu também elogios dos colegas da equipe de esportes, que o indicaram para trabalhar na Rádio Mauá, em 1982. Esse era apenas o início de uma carreira de sucesso no rádio.
Em 1983, Marcus trabalhou na Rádio Tamoio. Em 1984, foi para a Tupi, onde atuou por 12 anos., oito deles como repórter esportivo, mesmo sendo deficiente visual. Em 1996, foi contratado pela CBN, onde foi apresentador dos programas Notícia na Manhã e CBN Total. De 2000 a 2002, acumulou a função de coordenador nacional de esportes e fez a implantação, junto com toda a equipe, das transmissões de futebol na emissora. Em 2002, se transferiu para aRádio Globo e hoje é gerente executivo da emissora e apresentador do programa Quintal da Globo.
Paralelamente a esse trabalho, Marcus sempre foi um militante de causas sociais. Na época da universidade, atuou no movimento estudantil. Em 1990, foi convidado pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, para coordenar a equipe de rádio do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). Em 1994, Marcus e uma parte da equipe do Ibase fundaram a ONG Criar Brasil, que trabalha com produção radiofônica. Além disso, ele fez parte do grupo que fundou a UNIRR, em 1995.
A UNIRR tem quatro linhas de ação: o curso Comunicador Integral, a capacitação de jovens em comunidades, a capacitação de organizações da sociedade civil e a inclusão social.
Foi também sedebrasileira da Associação Mundial de Rádios Comunitárias, AMARC, de 1995 A 2002.
O Comunicador Integral é mais do que um curso de técnicas de rádio. “Formamos radialistas pensantes, que querem ter um papel de transformação da sociedade. O objetivo é formar pessoas criativas, talentosas e comprometidas com a missão social e a ética profissional do jornalista”, diz Marcus.
O coordenador afirma que ser capacitador da UNIRR é realizar uma missão: “me faz dormir seis horas no banco de um ônibus, chegar na sede, jogar uma água no rosto e dar aula de oito da manhã a uma e meia da tarde, sem nem sentir que não dormi direito. Parece que a gente ganha uma energia nova porque vê os resultados”, conclui.