III Fórum Intern de Comunicação e Sustentabilidade
O III Fórum Internacional de Comunicação e
Sustentabilidade foi realizado, nos dias 19 e 20,no Vivo Rio, noRio de Janeiro, e organizado pelo
Atitude Brasil. O tema Sustentabilidade foidebatido por profissionais de Comunicação e responsáveis
poriniciativas e incentivos ao tema, tanto empresas, cooperativas e pessoas físicas. A pauta foi como o
assunto vem sendo tratado pela mídia. Foi ressaltado que agir de forma sustentável não cabe apenas
por atitudes do governo, de empresas, nem só passando por esfera econômica ou política, mas é um
compromisso de todos.
No primeiro dia, a abertura teve aleitura da Carta da Terra e a primeira mesa, com o
painel sobre ''Democracia, Não Violência e Paz:Responsabilidadeda comunicação com relação
à sociedade e o impacto das redes sociais nos novos modelos de comunicação''. A ativista guatemalteca
Rigoberta Menchú, prêmio Nobel da Paz, em 1992, pela atuação em povos indígenas,destacou que ''cada um
tem um espírito, independende, de religião, para ter consciência de um mundo que se desenvolve com
responsabilidade e inclusão social''. Com 26 anos, o inglês Lucian Tarnowski explicou a criação da
plataforma BraveNewTalent para aproximar empregadores e osjovens do mundo. A rede social envolveu
mais de 100.000 jovens de maisde 140 países, dando ao inglês o título de Young Global Leader
(YGL), pelo WorldEconomic Forum.
Intervalo para o almoço, o Fórum prosseguiu à
tarde, com a mesa sobre:''Integridade Ecológica Responsabilidade socioambiental do Brasil e soluções
relacionadas à geração de lixo.'' O estoniano Rainer Nolvak, ideólogo do Clean Up Day (Dia da
Limpeza), falou sobrea experiência que, em agosto de 2007, mobilizou 50 mil voluntários nas ruas
de várias cidades da Estônia (1,5 milhão de habitantes), que limparam todo o país em um dia. Nolvak
ainda disse que a limpeza total fez economizar 22,5milhões de euros do governo e que isso levaria 3
anos, o que foi feitoem cinco horas, para ser realizado. Essa ideia inspira o movimento, lançado no
Fórum, Limpa Brasil, que tem como objetivo limpar o Rio deJaneiro, cidade de 6 milhões de habitantes,
com a ajuda de 150 milvoluntários em apenas um dia.
O
jornalista André Trigueiro bateu mais na tecla da responsabilidade da mídia na hora de vender a
palavra''sustentabilidade'' em campanhas publicitárias, ligando a palavra à imagem da empresa. Ele
cobrou empenho e atenção para não banalizar o termo, sem antes uma sincera análise abrangente do
cotidiano de uma empresa ou organização. O jornalista disse: ''o Bradesco, por exemplo, emprestava
dinheiro para quem desmatava, em áreas ilegais, na Amazônia, e abriam frigoríficos. E o banco se diz
Banco do Planeta. Há pessoas que fecham o negócio mas nem sabem para onde o dinheiro vai ser investido.
Sustentabilidade é um assunto novo e que precisa ser melhor estudado por todos''. André
ainda complementou o caso: ‘‘o próprio BNDES, em análise feita pelo Greenpeace, além de emprestar
dinheiro, era acionista desses frigoríficos.”
A situação levou três
grandes supermercados - Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart - a boicotarem carnes de 11 frigoríficos
que se encontraram na lista do Greenpeace, em 2009.
Segundo dia: destaque para
Muhammad Yunus
Fechando o Fórum,
o painel Justiça Social e Econômica, que debateu a inclusão da base da pirâmide no sistema de
consumo,recebeu um premiado empreendedor social. Ganhador Nobel da Paz em 2006, o economista e
professor Muhammad Yunusdesenvolveu o Grammen
Bank, em Bangladesh, para contribuir na erradicação da pobreza através do oferecimento de
micro-crédito – o primeiro no mundo com essa especialidade - ao cidadão pobre
bengalês.
O banco não-comercial nasceu
em uma tentativa de Yunus em ajudar pessoas que tomavam empréstimos com agiotas, em condições
impostas absurdas análogas à escravidão. Em uma atitude simples, o professor emprestou 27 dólares, do
próprio bolso, a 42 mulheres. Surpreso, ele viu o dinheiro ser pago pontualmente, nascendo assim um
empreendimento social.‘’O pobre não inventou a pobreza. O sistema o colocou nessa condição’’,
diz Yunus.
O principal foco do ‘’Banco
dos Pobres’’ é dar chance de pessoas excluídas criarem rendas, se autosustentarem. ‘’Nós queremos
passar a mensagem que o banco pertence às pessoas. Além disso, é o banco que vai até o cliente.
Torna-se imprescindível criar um empreendimento social para solucionar um problema social. A mensagem
mais importante é essa’’,explica o professor.
Yunus explicou que há investimentos em tecnologia, saúde e educação.
Aliás,com o banco, estudantes têm a oportunidade de cursar universidades, mestrados e até doutorados.
“Colocamos como premissa que os graduados não precisam procurar emprego, mas sim criar empregos.
Ainda há um objetivo social, familiar, que é colocar uma geração de filhos e netos qualificada, algo
que pais e avós não sonharam”, diz.
Perguntado sobre o programa Bolsa Família, que visa oferecer auxílio financeiro no Brasil, o
bengalês respondeu: ‘’É importante, mas é necessário pegarcinco, dez ou 20 famílias e criar um
empreendimento auto sustentável, para assim sairem do programa’’.
Atualmente,o banco conta com cerca de 12.500 funcionários, em 2.185
agências, e mais de seis milhões de clientes - 97% deles mulheres - em 71 mil aldeias do país. A taxa
de inadimplentes chega a pouco menos de 2%.Vale lembrar que o Brasil tem o Banco do Nordeste, o
maior em serviço de micro-crédito da América do Sul, com taxas de inadimplência a 1,16%,em 2009,
alcançando a marca de R$ 1,5 bilhão em contratos.