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05/09/10
   
   
 
   
Missão
 
 

"Capacitar, assessorar e apoiar as instituições e indivíduos que usam ou queiram usar o rádio ou outros meios de comunicação para promover a construção de uma sociedade democrática e inclusiva".

Destrinchando a missão

Capacitar, assessorar e apoiar...

Dizer que a UNIRR capacita, assessora e apóia significa que a instituição não é o ator político direto, ou seja, não é a central sindical ou a associação das rádios comunitárias. A UNIRR não quer concorrer com elas, não veio disputar espaço com a ABRAÇO (Associação Brasileira das Rádios Comunitárias), nem com o FNDC (Fórum Nacional para a Democratização da Comunicação) ou com as outras entidades nacionais, estaduais e municipais. Essas entidades são os atores políticos do movimento. Com a nossa ajuda, com o nosso apoio, são elas que devem convocar as manifestações, reuniões e ações políticas em favor das rádios comunitárias e públicas e da democratização da comunicação.

O papel da UNIRR é de apoio. Nós somos como o Criar Brasil na parte de produção, o INDECS na disseminação de conteúdo e realização de estudos e pesquisas, e o Cemina, também na parte de produção e capacitação. A UNIRR, o Criar, o INDECS e o Cemina são ONGs de apoio aos atores políticos, não são o ator político direto. Portanto, não cabe a elas convocar uma caminhada até Brasília, mas cabe a elas ir à caminhada junto com os atores. Se a UNIRR fosse o ator político direto, estaria cometendo um grande erro político, porque estaria criando uma concorrência, como aconteceu no movimento sindical.

A palavra apoio também está aí porque nem tudo é capacitação ou assessoria. É possível dar uma consultoria, por exemplo. Ou se pode escrever um texto sobre rádio e democracia para mandar para uma rádio do interior. Outro papel de apoio é o de divulgar conteúdos no site e no UNIRR para Informar que sejam úteis para as rádios comunitárias.

...instituições e indivíduos...

Podem nos procurar tanto uma rádio educativa quanto um indivíduo querendo cursar o Comunicador Integral. No Comunicador, faz-se uma propaganda enganosa ao contrário, porque estimulamos as pessoas a terem uma visão ética, pensante e criativa no mercado de trabalho, quando pensavam que iriam apenas fazer um curso de locução e apresentação para rádio. Então, mesmo que essas pessoas acabem trabalhando em uma rádio comercial, vão estar ali fazendo a diferença. Há diversos exemplos aqui da UNIRR, como Carolina Morand, Vanessa Freitas, Glauco Paiva, Jaqueline Sobral, Marcelo José, Ana Carolina Malvão e Renata Victor. São pessoas reconhecidas em seu ambiente de trabalho por serem éticas, criativas, pensantes, que fazem a diferença e não são meros bonequinhos para seguir o que já existe.

...que usem ou queiram usar o rádio...

A UNIRR pode apoiar, por exemplo, um grupo de sindicalistas que têm um programa no rádio sobre o sindicato e querem aprender a falar melhor. Mas pode auxiliar também um grupo de pessoas que ainda não criou um programa de rádio, mas quer criar.

...ou outros meios de comunicação...

A vocação principal e a prioridade da UNIRR é o rádio. Mas, eventualmente, pode acontecer de uma comunidade chamar a instituição para dar um treinamento para os locutores da TV comunitária, que querem aprender a falar melhor. Se em outros meios a UNIRR estiver ajudando a comunidade, não há problema por não se tratar de uma ação especificamente de rádio.

...para promover a construção...

A UNIRR não tem pretensões messiânicas de achar que vai promover a sociedade democrática. Tem sim a pretensão de estar entre os promotores e os animadores disso. A UNIRR, como diria o Betinho, que durante tanto tempo construiu o IBASE, quer dar a sua parcela de colaboração. Não há a pretensão de ser a entidade que vai salvar o mundo do rádio e da comunicação, mas existe, sim, o desejo de dar uma parcela de colaboração para uma sociedade mais democrática e justa.

...de uma sociedade democrática...

A democracia, para a UNIRR, não é uma visão meramente política/representativa. Não é porque se vota nas eleições que o país é democrático. A democracia é um valor político, cultural e econômico. Se num país existe democracia no voto, mas não existe democracia no direito à expressão dos diferentes valores culturais, das diferentes características étnicas, condições físicas e das questões econômicas, não existe uma democracia total. O Brasil tem 80% da população na faixa de pobreza. Desse total, 32 milhões de pessoas passam fome. Não se vive aqui uma democracia econômica.

É possível que o maior, o mais inteligente intelectual deste país, nasça na Cidade de Deus. Por mais esforçado e inteligente que ele seja, as chances de conseguir uma grande ascensão profissional são muito pequenas. Ele vai depender de uma série de apoios, apoios esses que o governo deveria ter a obrigação de dar, mas que quem acaba dando são as ONGs, os movimentos sociais. Se não houvesse um CEACC na Cidade de Deus, a Camila não teria sido descoberta. O gerente de um banco identificou nela uma jovem talentosa e competente, apesar de a pessoa da Cidade de Deus ter até de mudar o próprio endereço para que não seja alvo de desconfiança na hora de buscar emprego.

...e inclusiva.

A UNIRR está aqui para treinar, capacitar, apoiar e dar todo tipo de força para todo tipo de iniciativa que promova a inclusão social. Esta inclusão pode ser na sociedade de uma forma geral, ou seja, as rádios que vão usar o microfone para defender as crianças, os portadores de deficiência, as mulheres, os negros, mas também dentro das próprias rádios. Isto significa dar capacitação, treinamento e apoio para que as rádios comunitárias e as rádios de um modo geral sejam um exemplo de inclusão, não só para fora, para seus ouvintes, mas também para dentro da rádio. A rádio tem a obrigação de oferecer a todos os seus funcionários acessibilidade, por exemplo. Na sociedade inclusiva, não se discute se o deficiente que está ali vai poder fazer ou não determinada atividade, a não ser que ele opte por não fazer. Na sociedade inclusiva, se um funcionário é capacitado e tem condições de trabalhar, a empresa tem a obrigação de criar todos os tipos de adaptação para que ele esteja ali. A UNIRR tem a obrigação de treinar os radialistas para falar sobre inclusão, conscientizar sobre inclusão os ouvintes, mas também promover a inclusão dentro das próprias rádios.

O I da UNIRR não é, ainda, inclusão. Poderíamos dizer que é a intenção de incluir, porque a ONG nunca deu aula verdadeiramente inclusiva, mas quer que isso aconteça. Aula inclusiva é aquela que mistura todo mundo, e, até hoje, a UNIRR só deu aulas mistas com deficientes visuais e pessoas de visão normal. Para dar aula inclusiva, o capacitador precisa estar preparado para capacitar todo mundo. Tem que conhecer, por exemplo, a LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais. Isto é uma meta para o futuro. De qualquer forma, a UNIRR recebe de braços abertos toda e qualquer pessoa com deficiência que queira assistir às aulas ou contribuir com nossas equipes.

 
   
 
         
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